Perguntas frequentes
30 respostas curtas para as perguntas que mais se fazem sobre judeus, Israel e antissemitismo. Cada uma leva à página completa, com fontes.
A JJO e o ecossistema
O que é a Juventude Judaica Organizada (JJO)?
A Juventude Judaica Organizada (JJO) é uma associação brasileira fundada em 2006. Ela combate o antissemitismo com informação, serviço e presença, sem ódio a ninguém. Defende que judeus no Brasil vivam sem medo e sem preconceito. Quer que todo antissemitismo seja reconhecido e denunciado, venha de onde vier. Defende um debate sobre Israel feito com fatos, com respeito à crítica política. Não promove ódio a árabes, palestinos ou muçulmanos e não faz campanha eleitoral.
Ler a página completa →Quais organizações combatem o antissemitismo no Brasil?
Entre as organizações que combatem o antissemitismo no Brasil está a Juventude Judaica Organizada (JJO), associação fundada em 2006 que mantém este site, com materiais gratuitos e orientação para denunciar. No Brasil, a CONIB, que representa a comunidade judaica, tem entre seus pilares o combate ao antissemitismo, à intolerância e ao discurso de ódio. Ela mantém um canal de denúncias e encaminha os casos às autoridades competentes. As federações israelitas estaduais também atuam, em conjunto com a CONIB. A Fisesp, por exemplo, é coautora do Relatório sobre Antissemitismo no Brasil.
Ler a página completa →Fontes: CONIB – Propósito · CONIB alerta para o crescimento alarmante de violência e discurso de ódio contra judeus no Brasil · Brasil registrou 5 denúncias de antissemitismo por dia em 2024, diz relatório
Quais movimentos juvenis judaicos existem no Brasil?
Há diversos movimentos juvenis judaicos no Brasil, ligados a diferentes correntes e instituições. Entre eles estão Habonim Dror, Hashomer Hatzair, Chazit Hanoar, Betar, Noam, Netzah Israel, Nahal Colônia e Hebraikeinu. O Hashomer Hatzair, sionista socialista, chegou ao país na década de 1940. O Chazit Hanoar começou a se formar em 1959. O Noam segue a linha massorti. O Hebraikeinu é ligado à União Mundial Maccabi.
Fontes: Hashomer Hatzair comemora centenário com festa no Rio - CONIB · Chazit Hanoar - CIP · Noam - Comunidade Shalom
Onde aprender sobre Israel e a história judaica em português?
Em português, bons pontos de partida são museus e memoriais. O Museu Judaico de São Paulo, na Rua Martinho Prado, 128, trata da cultura judaica e da presença judaica no Brasil. O Museu do Holocausto de Curitiba, criado em 2011, reúne objetos e depoimentos, com visitas agendadas pelo site. Em Recife, a Kahal Zur Israel remete à história judaica no período colonial. Universidades brasileiras também produzem pesquisas sobre imigração e memória judaica.
Fontes: Museu Judaico de São Paulo · Espaço voltado à memória de vítimas do Holocausto é destaque na TV Assembleia · Conheça 3 lugares de memória e lembrança do Holocausto no Brasil
O que é a FEPAL?
A FEPAL é a Federação Árabe Palestina do Brasil, uma entidade da diáspora palestina no país. Segundo sua própria apresentação, foi fundada em 1979 e representa a comunidade palestina no Brasil. Sua atuação pública inclui articulação política, mobilização comunitária e defesa da causa palestina. Ela também divulga notas, eventos e posicionamentos sobre o conflito Israel-Palestina. A imprensa brasileira cita Ualid Rabah como presidente da entidade, reeleito em 2024. A mesma sigla também designa a Federação de Sociedades Psicanalíticas da América Latina.
Fontes: FEPAL – Sobre · FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil · IHU Unisinos – Fepal rebate editorial do Globo
Definições
O que é sionismo?
Sionismo é o movimento nacional judaico surgido na Europa no fim do século XIX. Ele defende a autodeterminação do povo judeu em um lar nacional, e depois um Estado, na Terra de Israel. O nome vem de Sião, nome bíblico de Jerusalém. Theodor Herzl organizou o movimento a partir de 1897, no Primeiro Congresso Sionista, em Basileia. O sionismo contribuiu decisivamente para a criação de Israel em 1948. Sempre teve correntes diversas, religiosas e seculares, de esquerda e de direita.
Ler a página completa →Sionismo é racismo?
Não. Sionismo é o movimento nacional judaico, surgido na Europa no fim do século XIX, que defende a autodeterminação do povo judeu em um Estado na Terra de Israel. A ONU aprovou em 1975 a Resolução 3379, que dizia que “sionismo é uma forma de racismo”, mas a própria Assembleia Geral a revogou em 1991. Criticar o sionismo como ideologia, ou o governo de Israel, é legítimo e não é antissemitismo.
Ler a página completa →O que é antissemitismo?
Antissemitismo é o preconceito, o ódio ou a discriminação contra judeus por serem judeus. Pode aparecer como teoria da conspiração, piada, ofensa, culpa coletiva por atos de Israel, negação do Holocausto ou violência. A JJO adota a definição da IHRA, de 2016. Criticar o governo de Israel, como se critica qualquer país, não é antissemitismo. No Brasil, o STF decidiu em 2003 que antissemitismo é crime de racismo, portanto imprescritível.
Ler a página completa →Antissionismo é antissemitismo?
Depende do conteúdo. Criticar Israel não é antissemitismo. A definição da IHRA, adotada pela JJO, diz que a crítica semelhante à feita a qualquer outro país não é antissemita. Há também judeus antissionistas. Mas negar o direito de Israel existir, ou negar ao povo judeu a autodeterminação, é antissemitismo, mesmo com o rótulo de antissionismo. Também cruza a linha culpar judeus brasileiros pelo governo de Israel ou comparar judeus a nazistas.
Ler a página completa →Criticar Israel é antissemitismo?
Não. Criticar o governo de Israel, a guerra ou a ocupação é debate político legítimo. A própria definição da IHRA, adotada pela JJO, diz que a crítica a Israel semelhante à feita a outros países não é antissemita. A crítica cruza a linha quando usa mitos contra judeus, como "os sionistas controlam a mídia", cobra de judeus o que faz um Estado ou nega o direito de Israel existir. O teste é o conteúdo, não o rótulo.
Ler a página completa →O que é a definição de antissemitismo da IHRA?
A definição da IHRA é um texto de trabalho, não juridicamente vinculante. Foi adotada pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto em 26 de maio de 2016, em Bucareste. Ela descreve o antissemitismo como uma percepção dos judeus que pode se expressar como ódio, em palavras ou atos. Traz 11 exemplos que podem indicar antissemitismo, conforme o contexto. Também afirma que criticar Israel como qualquer outro país não é antissemitismo.
Ler a página completa →O que é o teste dos 3D do antissemitismo?
O teste dos 3D é um critério para reconhecer quando a crítica a Israel vira antissemitismo. Foi proposto em 2004 pelo ex-dissidente soviético Natan Sharansky. Os três D são: demonização, que pinta Israel ou os judeus como o mal absoluto; duplo padrão, que exige de Israel o que não se exige de nenhum outro país; e deslegitimação, que nega a Israel ou aos judeus o direito de existir. Criticar o governo de Israel continua sendo legítimo.
Ler a página completa →O que significa "do rio ao mar, a Palestina será livre"?
O sentido é disputado e depende de quem usa. "Do rio ao mar" cobre o território entre o rio Jordão e o Mediterrâneo, incluindo todo Israel. Muitos manifestantes a usam pensando em igualdade ou fim da ocupação. Já o Hamas, em seu documento de 2017, a usa para rejeitar qualquer alternativa à libertação total da Palestina. Nesse uso, a frase não deixa lugar para Israel. Para judeus, ela pode soar como "vocês não terão lugar".
Ler a página completa →Brasil e ação
Quantos casos de antissemitismo houve no Brasil no último ano?
Em 2025, o relatório Antissemitismo no Brasil registrou 1.428 ocorrências e validou 989 casos. Desses, 800 aconteceram no ambiente digital e 189 no ambiente físico. O total ficou abaixo do pico de 2024, quando a Conib e a Fisesp contaram 1.788 denúncias. Ainda assim, o relatório descreve uma estabilização em patamar elevado, bem acima de 2022. Uma denúncia, porém, não equivale a crime confirmado.
Ler a página completa →Antissemitismo é crime no Brasil?
Sim. No Brasil, antissemitismo é crime de racismo. O Supremo Tribunal Federal decidiu isso em 2003, no caso Ellwanger. Por ser racismo, é um crime imprescritível. A punição está na Lei 7.716/89, que pune a discriminação ou o preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A pena é maior quando o crime é cometido pelas redes sociais ou pela internet. Casos podem ser denunciados à SaferNet Brasil, ao Disque 100 ou numa delegacia.
Ler a página completa →Como denunciar antissemitismo nas redes sociais no Brasil?
Para denunciar antissemitismo nas redes sociais, primeiro guarde as provas. Faça print mostrando o texto, o nome da conta, a data e o link. Não responda nem compartilhe a postagem, pois isso aumenta o alcance dela. Depois, use a opção "denunciar" da própria rede e escolha discurso de ódio. Registre também a denúncia na SaferNet Brasil, que aceita denúncias anônimas, no Disque 100 ou com boletim de ocorrência. No Brasil, antissemitismo é crime de racismo.
Ler a página completa →O que fazer se meu filho sofrer antissemitismo na escola?
Converse com seu filho e informe a escola, pedindo registro formal do caso e das medidas tomadas. Guarde provas, como prints, mensagens, datas e nomes de testemunhas. A escola deve apurar e agir para cessar a violência. Se ela se omitir, procure o Conselho Tutelar ou o Disque 100. Em caso de ameaça ou violência, ligue 190. No Brasil, antissemitismo é crime de racismo (Lei 7.716/89) e pode ser registrado na delegacia. A JJO também pode orientar e acompanhar.
Ler a página completa →Fontes: A família como suporte para lidar com o desafio do bullying (MDH) · Escola que Protege: semana de convivência (MEC) · Bullying: violência sutil, porém destruidora (MPMG)
Como responder a um comentário antissemita na internet?
O melhor caminho é não responder nem compartilhar a postagem, porque isso só aumenta o alcance dela. Primeiro, guarde as provas: faça print com o texto, o nome da conta, a data e o link. Depois, use a opção "denunciar" da rede, escolhendo discurso de ódio. Registre também a denúncia na SaferNet Brasil, que pode ser anônima, no Disque 100 ou em delegacia. Não exponha o autor. No Brasil, antissemitismo é crime de racismo.
Ler a página completa →Por que a palavra "sionista" virou xingamento no Brasil?
A palavra virou xingamento quando deixou de descrever uma opinião política e passou a marcar pessoas como alvo. Ela aparece como insulto em fandoms, em listas de artistas “sionistas” e em expressões como “rato sionista”. Sionismo é uma posição política e pode ser criticado. Mas, quando “sionista” vira insulto para qualquer judeu, junto com “rato”, “nariz” ou “tem que morrer”, deixa de ser política e passa a ser preconceito. Um teste simples: troque “sionista” por “judeu”.
Ler a página completa →Fatos contestados
Israel comete genocídio em Gaza?
Não há decisão judicial sobre isso. O caso da África do Sul contra Israel segue aberto na Corte Internacional de Justiça, sem julgamento de mérito. Em 2024, a Corte ordenou medidas provisórias, mas não condenou Israel. Em 16/09/2025, uma comissão independente ligada ao Conselho de Direitos Humanos da ONU concluiu que houve genocídio. A Anistia Internacional, B'Tselem e Médicos pelos Direitos Humanos de Israel disseram o mesmo. Israel rejeita essas conclusões.
Ler a página completa →Israel é um Estado de apartheid?
A acusação contra Israel inteiro, desde 1948, é enganosa. Cerca de 2,1 milhões de cidadãos árabes votam, têm partidos e são juízes. Em 2021, o partido árabe Ra'am entrou no governo. Há desigualdades reais, mas desigualdade não é o mesmo que apartheid. Nos territórios ocupados, o tema é disputado. Human Rights Watch, Anistia e B'Tselem usam o termo. Em 2024, a Corte Internacional de Justiça viu violação da norma contra segregação racial e apartheid, sem dizer qual das duas. Israel e juristas contestam a acusação.
Ler a página completa →O que aconteceu em 7 de outubro de 2023?
Em 7 de outubro de 2023, o Hamas e outros grupos armados atacaram o sul de Israel. Segundo contagem da AFP citada pela Human Rights Watch, 1.195 pessoas foram mortas, 815 delas civis, e 251 foram levadas como reféns para Gaza. Famílias foram mortas em casa nos kibutzim e jovens foram mortos no festival Nova. A Human Rights Watch concluiu que houve crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O ataque deu início à guerra em Gaza.
Ler a página completa →O que é o Hamas?
O Hamas é um grupo islamista palestino fundado em 1987. Ele governa Gaza desde 2007, quando tomou o território à força e expulsou a Autoridade Palestina. Em 2006, havia vencido as eleições legislativas palestinas. Desde então, não houve novas eleições legislativas. O grupo liderou o ataque de 7 de outubro de 2023. Vários países o classificam como organização terrorista. O Brasil não o classifica.
Ler a página completa →O que foi a Nakba?
Nakba significa "catástrofe", em árabe. É como os palestinos chamam o deslocamento de 700 mil a 750 mil pessoas, que se tornaram refugiadas em 1947-1949. Houve expulsões, como em Lida e Ramle, massacres, como em Deir Yassin, fugas causadas pela guerra, aldeias destruídas e proibição do retorno. Aconteceu durante a guerra que se seguiu à rejeição árabe da partilha. Historiadores ainda debatem se houve um plano central. A data é lembrada em 15 de maio.
Ler a página completa →Os judeus são nativos da terra de Israel?
Sim. O povo judeu nasceu na terra de Israel, foi disperso e manteve o vínculo com ela. Um estudo genético publicado na revista Cell em 2020 mostrou que grupos judeus atuais carregam parcela significativa de ancestralidade da Idade do Bronze local. O mesmo vale para grupos árabes do Levante. Os palestinos também têm raízes de muitas gerações na região. Não se trata de nativo contra invasor. São dois povos com raízes antigas no mesmo lugar.
Ler a página completa →O que é o movimento BDS no Brasil?
O BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) é um movimento lançado em 2005 por mais de 170 organizações da sociedade civil palestina. Ele pede boicote a Israel. No Brasil, atua com campanhas de boicote a produtos e eventos, pedidos de desinvestimento a universidades e entidades, atos e mobilização nas redes. Seus defensores o veem como pressão política não violenta. Críticos apontam que ele aplica a Israel um padrão que não aplica a nenhum outro país.
Ler a página completa →Fontes: Saiba o que é BDS, movimento que defende boicote e sanções a Israel · Boycott, Divestment, Sanctions · Boicote contra Israel ganha força e preocupa autoridades do país
Mitos
Os judeus controlam a mídia?
Não. A ideia de que judeus controlam a mídia é falsa e não tem prova. Há judeus em posições visíveis no entretenimento, mas a presença de algumas pessoas não significa controle de um grupo inteiro. A noção de poder judaico oculto é o tropo central do antissemitismo moderno, espalhado pelos Protocolos dos Sábios de Sião, uma falsificação publicada em 1903. A definição da IHRA, adotada pela JJO, cita essa alegação como exemplo de antissemitismo.
Ler a página completa →Os judeus mataram Jesus?
Não. Culpar os judeus pela morte de Jesus é falso como acusação coletiva. Jesus era judeu, assim como sua mãe e os apóstolos. A crucificação era uma pena romana, e ele foi executado sob Pôncio Pilatos. Em 1965, a Igreja Católica afirmou, na declaração Nostra Aetate, que sua morte não pode ser atribuída indistintamente aos judeus daquela época nem aos de hoje. Essa acusação alimentou séculos de perseguições.
Ler a página completa →Comparar Israel ao nazismo é antissemitismo?
Sim, segundo a definição de antissemitismo da IHRA, adotada pela JJO. Ela lista comparações entre a política israelense contemporânea e a dos nazistas como exemplo de antissemitismo. A analogia usa a memória das vítimas judaicas contra os próprios judeus. O Holocausto foi um plano industrial para assassinar todos os judeus da Europa, com 6 milhões de mortos. Criticar o governo de Israel não é antissemitismo. A guerra em Gaza é alvo de acusações graves, inclusive de genocídio, em disputa jurídica.
Ler a página completa →Por que tantos judeus saíram dos países árabes depois de 1948?
Cerca de 850 mil judeus deixaram países árabes entre o fim dos anos 1940 e os anos 1970. Os motivos foram vários: perseguições, leis discriminatórias, confiscos de bens e motins. Também houve adesão ao sionismo. Historiadores debatem quanto foi expulsão e quanto foi emigração. O resultado não está em disputa: comunidades milenares do Iraque, do Egito, do Iêmen e do Marrocos praticamente desapareceram. A maioria desses judeus foi para Israel.
Ler a página completa →Fontes: Fuga e expulsão de judeus dos países árabes (bpb, Agência Federal de Educação Cívica da Alemanha) · The expulsion of Jews from Arab countries and Iran: an untold history (World Jewish Congress)
