Em parte, sim. Criticar Israel não é antissemitismo, e a própria definição da IHRA diz isso quando a crítica é semelhante à feita a outros países. Mas negar o direito de Israel existir, ou negar ao povo judeu a autodeterminação, é antissemitismo, mesmo com o rótulo de antissionismo. O teste é o conteúdo, não o rótulo.
Como a frase “antissionismo não é antissemitismo” circula?
A frase é repetida por organizações e ativistas. Muitas vezes aparece como resposta automática a qualquer acusação de antissemitismo.
O problema não é a frase em si. O problema é usá-la como escudo para qualquer conteúdo, sem olhar o que de fato foi dito.
Por que tanta gente acredita que antissionismo nunca é antissemitismo?
Porque a ideia tem base real:
- Há judeus antissionistas. Nem toda pessoa que se opõe ao sionismo odeia judeus.
- Crítica a Israel não é ódio a judeus. Discordar de um governo, de uma política ou de uma ação militar é parte normal do debate público.
Por isso a frase parece razoável. E, em muitos casos, ela está certa.
O que é verdade e o que é falso nessa afirmação?
É verdade que criticar Israel não é antissemitismo. A definição de trabalho da IHRA afirma que a crítica a Israel semelhante à feita a qualquer outro país não pode ser considerada antissemita.
É falso que o rótulo de antissionismo torne qualquer conteúdo aceitável. A JJO adota a definição da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir, ou negar ao povo judeu a autodeterminação, é antissemitismo, mesmo quando é chamado de antissionismo.
Há também dados de pesquisa. Estudos encontraram correlação entre visões anti-Israel extremas e estereótipos antissemitas (Kaplan e Small, 2006; JPR, 2017). Correlação não significa que todo crítico de Israel seja antissemita. Significa que, nas posições mais extremas, os dois aparecem juntos com frequência.
Como saber se um discurso antissionista cruzou a linha?
O teste é o conteúdo, não o rótulo. A linha é cruzada quando o discurso que se diz antissionista:
- culpa judeus brasileiros pelo que faz o governo de Israel;
- usa tropos de poder judeu, como “os sionistas controlam a mídia”;
- compara judeus a nazistas;
- justifica ou pratica ataques a sinagogas no Brasil;
- nega o direito de Israel existir.
Nesses casos, trocar a palavra “judeu” por “sionista” não muda o que está sendo dito. É o preconceito de sempre com outra palavra.
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Criticar Israel não é antissemitismo. A linha é cruzada quando o “antissionismo” culpa judeus brasileiros, usa tropos de poder judeu ou nega o direito de Israel existir. O teste é o conteúdo, não o rótulo.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
Em princípio, quem diz isso tem razão: dá para criticar o sionismo sem odiar judeus, e há judeus que pensam assim. Por isso, nem toda crítica deve ser chamada de antissemitismo.
Mas o rótulo não protege tudo. Dizer que “os sionistas controlam a mídia”, comparar judeus a nazistas ou atacar uma sinagoga no Brasil é o preconceito de sempre com outra palavra. O caminho é olhar com calma o conteúdo de cada caso.
Não diga que antissionismo é sempre antissemitismo. Essa generalização não é precisa e reforça a tese de que a acusação de antissemitismo serve só para calar críticas. Reconheça que a crítica a Israel é legítima e concentre a resposta no conteúdo concreto do que foi dito.
