Não. Criticar o governo de Israel, a guerra ou a ocupação é debate político legítimo. A crítica vira antissemitismo quando usa mitos contra judeus (conspiração, desumanização), cobra judeus pelo que faz um Estado ou nega o direito de Israel existir. O teste é o conteúdo, não o rótulo.
Onde está a linha
Muita gente critica o governo de Israel, a guerra ou a ocupação sem nenhum ódio a judeus. Por isso a JJO não chama toda crítica de antissemitismo. A linha, pela definição da IHRA que a JJO adota, é clara: usar mitos contra judeus, cobrar de judeus o que faz um Estado ou negar o direito de Israel existir é antissemitismo, mesmo quando vem com o rótulo de "antissionismo". "Os sionistas controlam a mídia" é o preconceito de sempre com outra palavra.
O teste dos 3D
Proposto em 2004 pelo ex-dissidente soviético Natan Sharansky, ajuda a reconhecer quando a crítica cruza a linha:
| D | O que é | Exemplo |
|---|---|---|
| Demonização | Pintar Israel ou os judeus como o mal absoluto | "Israel é o novo nazismo" |
| Duplo padrão | Exigir de Israel o que não se exige de nenhum outro país | Boicotar só artistas israelenses |
| Deslegitimação | Negar que Israel ou os judeus tenham direito a existir como os outros | "Entidade sionista" |
Teste: crítica ou antissemitismo?
Leia cada frase, pense na sua resposta e abra para ver o comentário.
“O governo de Israel deveria ser investigado por crimes de guerra em Gaza.”
É uma posição sobre um governo e uma guerra. Você pode concordar ou discordar, mas não é antissemitismo.
“Os sionistas controlam a mídia e o Congresso.”
Troca “judeus” por “sionistas” no mito do controle judeu, o mesmo dos Protocolos de 1903.
“A sinagoga do meu bairro tem que se explicar pelo que Israel faz.”
Culpa coletiva: cobra de judeus brasileiros o que faz um Estado estrangeiro.
“Israel é o novo nazismo.”
Usa o Holocausto contra os judeus. Dá para criticar a guerra sem essa comparação.
“Sou contra a política de assentamentos na Cisjordânia.”
É uma posição política, defendida inclusive por muitos israelenses.
“Israel não tem direito de existir.”
Negar ao povo judeu o direito a um Estado é antissemitismo, segundo a definição da IHRA, que a JJO adota. Entre quase 200 países, só o Estado judeu teria de deixar de existir. Criticar o governo de Israel é legítimo; negar que Israel exista, não.
