JJOJuventude JudaicaOrganizada
⌕DenunciarApoiePT · ES · EN
Início › Entenda › O que é sionismo?
EM REVISÃO Texto ainda não aprovado pela JJO. Encontrou algo a corrigir? Avise.
JJO explica

O que é sionismo?

Leitura: 7 minEm revisãoFontes: 16
Resposta curta

Sionismo é o movimento nacional judaico surgido na Europa no fim do século XIX. Ele defende a autodeterminação do povo judeu em um lar nacional, e depois um Estado, na Terra de Israel. A região é associada a Sião, nome bíblico de Jerusalém. Theodor Herzl organizou o movimento a partir de 1897. O sionismo contribuiu decisivamente para a criação de Israel em 1948 e teve várias correntes.

O que significa a palavra sionismo e de onde ela vem?

A palavra vem de Sião (Tsiyon), um dos nomes bíblicos de Jerusalém. Com o tempo, Sião virou símbolo de toda a Terra de Israel.

O termo Zionismus foi cunhado pelo intelectual austríaco Nathan Birnbaum. As fontes divergem um pouco sobre a data: algumas indicam 1890, outras situam a criação entre 1890 e 1892, na publicação Selbst-Emanzipation!.

O desejo de retorno a Sião já aparecia na liturgia e na tradição judaica havia séculos. O sionismo moderno transformou essa aspiração em um projeto político e nacional. Ele nasceu em meio ao antissemitismo europeu e aos nacionalismos modernos. Segundo a Britannica, o movimento defendia um lar para o povo judeu na Palestina. Para muitas de suas correntes, esse lar deveria ser um Estado.

O sionismo costuma ser descrito a partir de três ideias:

  • Am Yisrael (o povo de Israel): os judeus formam um povo, com identidade histórica e cultural própria, e não apenas uma comunidade religiosa.
  • Eretz Yisrael (a Terra de Israel): o povo judeu mantém uma ligação histórica e espiritual contínua com essa terra.
  • Medinat Yisrael (o Estado de Israel): o povo judeu tem direito à autodeterminação política em um Estado soberano.

Quem é o pai do sionismo?

O jornalista austro-húngaro Theodor Herzl (1860–1904) é chamado de “pai do sionismo político moderno”. A expressão é correta, com uma ressalva: ele organizou e internacionalizou o movimento, mas não foi o primeiro a defender a vida judaica na Terra de Israel.

Os precursores:

  • O rabino Yehuda Alkalai, o rabino Zvi Hirsch Kalischer e o filósofo Moses Hess já defendiam o trabalho agrícola e o assentamento na Palestina. Hess escreveu Roma e Jerusalém (1862).
  • Em 1881, uma onda de pogroms atingiu o Império Russo. Em setembro de 1882, o médico Leon Pinsker publicou Autoemancipação. Ele argumentou que os judeus deviam assumir o controle do próprio destino.
  • O texto de Pinsker inspirou as sociedades Hovevei Zion (“Amantes de Sião”), formalizadas na Conferência de Kattowice, em 1884. Elas organizaram os primeiros assentamentos agrícolas.

A contribuição de Herzl:

O antissemitismo na Europa Ocidental e o Caso Dreyfus, na França (1894), marcaram Herzl. Em 14 de fevereiro de 1896, ele publicou O Estado Judeu (Der Judenstaat). No livro, defendeu que a “questão judaica” era um problema nacional e político, e não apenas religioso ou social (Britannica).

Entre 29 e 31 de agosto de 1897, Herzl convocou o Primeiro Congresso Sionista, em Basileia, na Suíça, com 208 delegados. O congresso fundou a Organização Sionista e elegeu Herzl seu primeiro presidente (Britannica). Também aprovou o Programa de Basileia, redigido por Max Nordau. Seu objetivo era criar para o povo judeu “um lar na Palestina assegurado pelo direito público”.

Em seu diário, em 3 de setembro de 1897, Herzl escreveu que havia fundado o Estado judeu em Basileia. Previu que, “certamente em cinquenta” anos, todos veriam isso. Israel foi proclamado em 1948.

Qual é a diferença entre judaísmo e sionismo?

Judaísmo é a religião e a tradição do povo judeu. Sionismo é um movimento político e nacional moderno, organizado a partir do fim do século XIX. Os dois se cruzam, mas não são a mesma coisa.

  • O judaísmo existe há milênios. A aspiração de retorno a Sião faz parte da sua liturgia, mas como esperança religiosa.
  • O sionismo propôs uma resposta política: diplomacia, imigração, assentamento e instituições nacionais.
  • Houve judeus sionistas, não sionistas e antissionistas. Dizer que o sionismo representa todos os judeus é uma generalização.
  • Entre os sionistas, havia religiosos e seculares. O sionismo religioso é apenas uma das correntes. Outras, como a trabalhista, eram laicas.

Uma pesquisa do JPR, feita em julho de 2024 com mais de 4.500 judeus britânicos, mostra essa relação. Nela, 65% se disseram sionistas. Ou seja, a maioria se identifica com o sionismo, mas não todos.

Qual a diferença entre sionista e semita?

Sionista e semita não são sinônimos. Sionista é quem apoia o sionismo, isto é, a autodeterminação do povo judeu em um Estado. É uma posição política, não uma origem ou etnia.

Por isso:

  • Nem todo judeu é sionista, e há sionistas que não são judeus.
  • Ser sionista não significa concordar com cada governo de Israel. Criticar o governo de Israel não é antissemitismo.
  • Criticar o sionismo como ideologia também é legítimo.

O problema começa quando “sionista” vira xingamento genérico para qualquer judeu. Isso acontece, por exemplo, quando o termo aparece junto com estereótipos como “rato” ou com ameaças. Desde julho de 2024, a Meta remove ataques a “sionistas” quando o termo substitui “judeus” ou “israelenses” nesses contextos.

Um teste simples: troque “sionista” por “judeu” na frase. Se o resultado for um preconceito clássico, a frase já não fala de política.

Quem são os sionistas no Brasil e no mundo?

Sionista é qualquer pessoa que apoia o direito do povo judeu à autodeterminação e a existência de Israel. Isso vale no Brasil e em qualquer país. Não é um grupo fechado, um partido ou uma organização secreta.

Na prática, o termo inclui pessoas com visões muito diferentes:

  • judeus religiosos e judeus seculares;
  • pessoas de esquerda, ligadas à tradição do sionismo trabalhista, e de direita;
  • quem apoia o governo de Israel e quem o critica duramente;
  • não judeus que defendem que Israel exista.

No mundo, a principal estrutura do movimento é a Organização Sionista Mundial, fundada em Basileia em 1897. Fora dela, ser sionista é uma convicção pessoal, sem cadastro ou filiação.

Tratar “os sionistas” como um bloco único, que controlaria governos ou a imprensa, repete um padrão de preconceito contra judeus. O próprio movimento sempre teve correntes que discordavam entre si.

Quais são as correntes do sionismo?

O sionismo nunca foi uma doutrina única. Suas correntes divergiam sobre religião, socialismo, fronteiras, ritmo da construção nacional, relação com a população árabe e necessidade de um Estado formal.

CorrenteNome associadoIdeia central
PolíticaTheodor Herzl, Max NordauDiplomacia com as grandes potências e garantias jurídicas internacionais
Trabalhista (socialista)David Ben-GurionIdeias socialistas, assentamentos coletivos (*kibutzim*) e construção gradual de instituições
RevisionistaZe'ev (Vladimir) JabotinskyNacionalismo mais firme, autodefesa militar e rápida formação de uma maioria judaica
CulturalAhad Ha'am (Asher Ginsberg)Renascimento do hebraico e criação de um centro espiritual e cultural
ReligiosaRabino Abraham Yitzhak KookRetorno nacional lido à luz da tradição religiosa e da redenção
Da DiásporaHenrietta SzoldApoio comunitário, filantrópico e social a partir das democracias ocidentais

A corrente trabalhista teve grande influência no início do século XX e na liderança que fundou Israel.

Como o sionismo levou à criação de Israel?

O movimento combinou diplomacia, imigração e construção de instituições durante cinco décadas, até a proclamação de Israel em 14 de maio de 1948.

  • Declaração Balfour (2/11/1917): carta do chanceler britânico Arthur Balfour a Lord Rothschild. Nela, o governo britânico apoiava um “lar nacional para o povo judeu” na Palestina. O texto também afirmava que nada deveria prejudicar os direitos civis e religiosos das “comunidades não judaicas existentes”. A carta não era um tratado.
  • Mandato Britânico (1922): a Liga das Nações incorporou a declaração ao Mandato para a Palestina, ratificado em 24 de julho de 1922.
  • Livro Branco de 1939: a Grã-Bretanha limitou a imigração judaica a 75 mil pessoas em cinco anos (Avalon Project).
  • Holocausto: fortaleceu a pressão internacional por um refúgio para os sobreviventes, segundo o Museu do Holocausto dos EUA. O sionismo, porém, existia décadas antes.
  • Resolução 181 (29/11/1947): a Assembleia Geral da ONU recomendou dividir a Palestina em um Estado judeu e um Estado árabe, com regime internacional para Jerusalém (Avalon Project). A liderança sionista aceitou a proposta. A liderança árabe palestina e os Estados árabes a rejeitaram.
  • 14/5/1948: David Ben-Gurion proclamou o Estado de Israel em Tel Aviv. A guerra de 1948 se ampliou com a entrada de exércitos árabes vizinhos. Israel entrou na ONU em 11 de maio de 1949 (Resolução 273)).

Duas leituras do mesmo processo. No discurso sionista, 1948 representa a autodeterminação judaica e uma resposta ao antissemitismo. No discurso palestino, o mesmo processo é a Nakba (“catástrofe”). O termo se refere à expulsão, à fuga e ao deslocamento de centenas de milhares de palestinos. O deslocamento em larga escala é um fato documentado. Causas, responsabilidades e números exatos ainda são debatidos por historiadores.

Sionismo é racismo ou colonialismo? E criticar o sionismo é antissemitismo?

A ONU não considera o sionismo racismo. Em 10 de novembro de 1975, a Assembleia Geral aprovou a Resolução 3379), que chamou o sionismo de “forma de racismo”. A votação teve 72 votos a favor, 35 contra e 32 abstenções. Em 16 de dezembro de 1991, a própria Assembleia revogou esse texto com a Resolução 46/86. Citar a de 1975 como se estivesse em vigor é um erro de fato.

A leitura “colonialista” é disputada. Há quem analise o sionismo como colonialismo de povoamento. Há também quem o descreva como um movimento nacional de refugiados. Vários fatos pesam nesse debate:

  • Muitos dos primeiros sionistas vieram da Europa, e a Grã-Bretanha apoiou o “lar nacional”.
  • O movimento não agia em nome de uma metrópole. A própria Grã-Bretanha restringiu a imigração judaica em 1939.
  • Grande parte dos judeus de Israel descende de famílias vindas de países árabes e do Irã (bpb).

Onde fica o limite. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar ao povo judeu o direito à autodeterminação é antissemitismo. Dizer que Israel não tem direito de existir é um exemplo. Criticar políticas e governos de Israel, ou debater o sionismo como ideologia, não é. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Linha do tempo

  1. 1862Moses Hess publica *Roma e Jerusalém*.
  2. 1881Onda de pogroms no Império Russo.
  3. 1882Leon Pinsker publica *Autoemancipação*.
  4. 1884A Conferência de Kattowice formaliza as sociedades Hovevei Zion.
  5. 1890–1892Nathan Birnbaum cunha o termo “sionismo”.
  6. 1896Theodor Herzl publica *O Estado Judeu* (14 de fevereiro).
  7. 1897Primeiro Congresso Sionista em Basileia; criação da Organização Sionista e aprovação do Programa de Basileia.
  8. 1917Declaração Balfour (2 de novembro).
  9. 1922A Liga das Nações ratifica o Mandato Britânico para a Palestina.
  10. 1939O Livro Branco britânico limita a imigração judaica a 75 mil pessoas em cinco anos.
  11. 1947A Resolução 181 da ONU recomenda a partilha da Palestina (29 de novembro).
  12. 1948David Ben-Gurion proclama o Estado de Israel (14 de maio).
  13. 1975A Resolução 3379 da ONU chama o sionismo de forma de racismo.
  14. 1991A Resolução 46/86 revoga a Resolução 3379.

Perguntas frequentes

Quem é o pai do sionismo?
Theodor Herzl (1860–1904) é considerado o pai do sionismo político moderno. Ele publicou *O Estado Judeu* em 1896 e convocou o Primeiro Congresso Sionista, em Basileia, em 1897. Antes dele, porém, Leon Pinsker, Moses Hess e as sociedades Hovevei Zion já defendiam a autoemancipação judaica e o assentamento na Terra de Israel.
Qual é a diferença entre judaísmo e sionismo?
Judaísmo é a religião e a tradição milenar do povo judeu. Sionismo é um movimento político e nacional surgido no fim do século XIX, que defende a autodeterminação judaica em um Estado. Há judeus sionistas, não sionistas e antissionistas. Também há sionistas religiosos e seculares, e sionistas que não são judeus.
Qual a diferença entre sionista e semita?
Os termos não são sinônimos. Sionista é quem apoia o direito do povo judeu a um Estado, ou seja, uma posição política, não uma origem. Nem todo judeu é sionista. Criticar o sionismo ou o governo de Israel é legítimo. Usar “sionista” como xingamento contra qualquer judeu, com estereótipos ou ameaças, é preconceito.
A ONU disse que sionismo é racismo?
Disse em 1975, mas voltou atrás. A Resolução 3379 foi aprovada em 10 de novembro de 1975, por 72 votos a favor, 35 contra e 32 abstenções. A própria Assembleia Geral a revogou em 16 de dezembro de 1991, pela Resolução 46/86. Desde então, essa posição não está mais em vigor na ONU.
Em revisão pela JJO. Toda afirmação tem fonte. Encontrou um erro? Peça uma correção.

Checagens relacionadas

Mito × Fato

“O sionismo é colonialismo europeu de povoamento”

Ler →
Mito × Fato

“A ONU já decidiu que sionismo é racismo”

Ler →
Mito × Fato

“‘Sionista’ é só uma posição política; posso xingar à vontade”

Ler →
Mito × Fato

“Israel não tem direito de existir”

Ler →
Mito × Fato

“Israel é um Estado artificial, criado pelas potências”

Ler →