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O que é a definição de antissemitismo da IHRA?

Leitura: 8 minEm revisãoFontes: 21
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A definição de antissemitismo da IHRA é um texto de referência, não juridicamente vinculante. A Aliança Internacional para a Memória do Holocausto adotou o texto em 26 de maio de 2016, em Bucareste. Ele diz que o antissemitismo é uma determinada percepção dos judeus, que pode se exprimir como ódio, e traz 11 exemplos. O texto afirma que criticar Israel como qualquer outro país não é antissemitismo.

O que significa a sigla IHRA e quem faz parte dela?

IHRA é a sigla de International Holocaust Remembrance Alliance, a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto. É um organismo intergovernamental formado por países que se comprometem com a educação, a memória e a pesquisa sobre o Holocausto.

  • 1998: a aliança nasceu por iniciativa do então primeiro-ministro sueco Göran Persson. O nome original era Task Force for International Cooperation on Holocaust Education, Remembrance and Research.
  • Janeiro de 2000: no Fórum Internacional de Estocolmo sobre o Holocausto, governos de 46 países aprovaram a Declaração de Estocolmo. Nela, os países se comprometeram a combater o racismo, o antissemitismo e a negação da história. Esse texto é a base da IHRA.
  • 2016: quando a definição foi adotada, a IHRA tinha 31 Estados-membros.
  • Setembro de 2022: eram 35 países-membros, segundo um relatório publicado na Austrália. A Argentina, a Áustria, a Bélgica e o Canadá estão entre eles.

Quem decide é o plenário, formado por representantes dos países-membros. A IHRA também tem países observadores. O Brasil entrou como observador em 9 de novembro de 2021. Em 2025, o governo brasileiro deixou a aliança. A decisão foi criticada por um diretor de museu do Holocausto, segundo coluna da Folha de S.Paulo.

O que diz o texto da definição de antissemitismo da IHRA?

A definição tem uma frase central: o antissemitismo é uma percepção dos judeus que pode se exprimir como ódio. O texto vem da página oficial da IHRA em português. Essa página usa a grafia de Portugal:

> “O antissemitismo é uma determinada perceção dos judeus, que se pode exprimir como ódio em relação aos judeus. Manifestações retóricas e físicas de antissemitismo são orientadas contra indivíduos judeus e não judeus e/ou contra os seus bens, contra as instituições comunitárias e as instalações religiosas judaicas.”

Três pontos ajudam a entender o texto:

  • O alvo pode ser judeu ou não judeu. Contam ataques a pessoas, bens, instituições comunitárias e locais religiosos judaicos.
  • O texto inclui palavras e atos. Discursos de ódio e agressões físicas entram na mesma definição.
  • Israel pode ser alvo. A versão em inglês diz que as manifestações podem incluir ataques ao Estado de Israel, visto como uma coletividade judaica.

O plenário da IHRA adotou a definição em 26 de maio de 2016, em Bucareste, sob a presidência da Romênia. A adoção foi unânime. A proposta veio do Comitê sobre Antissemitismo e Negação do Holocausto da organização. Esse comitê levou o tema à plenária de Budapeste em 2015. O texto se baseia numa definição de trabalho publicada em janeiro de 2005 pelo Centro Europeu de Monitoramento do Racismo e da Xenofobia (EUMC), hoje FRA.

Quais são os 11 exemplos da definição da IHRA?

A IHRA lista 11 exemplos que podem ser antissemitismo, sempre conforme o contexto geral. Nenhuma frase é antissemita de forma automática só por constar da lista.

1. Apelar à morte ou aos maus-tratos de judeus, ajudar nesses atos ou justificá-los, em nome de uma ideologia radical ou de uma visão extremista da religião. 2. Fazer alegações falsas, desumanizantes ou estereotipadas sobre os judeus ou sobre seu poder coletivo. Um exemplo é o mito de que os judeus controlam a mídia, a economia ou o governo. 3. Culpar os judeus como povo por erros reais ou imaginários de um judeu ou de um grupo judaico. 4. Negar o fato, o alcance, os mecanismos ou a intenção do Holocausto. As câmaras de gás são um desses mecanismos. 5. Acusar os judeus, ou Israel, de inventar ou exagerar o Holocausto. 6. Acusar cidadãos judeus de serem mais leais a Israel do que aos próprios países. 7. Negar ao povo judeu o direito à autodeterminação. Um exemplo é dizer que a existência do Estado de Israel é um empreendimento racista. 8. Aplicar padrões duplos. Isso significa exigir de Israel o que não se exige de nenhum outro país democrático. 9. Usar símbolos do antissemitismo clássico, como a acusação de que os judeus mataram Jesus ou a calúnia do sangue, para descrever Israel ou os israelenses. 10. Comparar a política israelense atual com a dos nazistas. 11. Responsabilizar os judeus coletivamente pelas ações do Estado de Israel.

Os exemplos 1 a 5 tratam de preconceitos antigos e da memória do Holocausto. Os exemplos 6 a 11 tratam de casos em que o preconceito contra judeus aparece no debate sobre Israel.

A definição da IHRA proíbe criticar Israel?

Não. O próprio texto diz que criticar Israel como se critica qualquer outro país não é antissemitismo. A frase oficial é esta:

> “A crítica a Israel semelhante à dirigida a qualquer outro país não pode ser considerada antissemita.”

A definição não trata toda crítica ao governo israelense como preconceito. Discordar de decisões de governo e cobrar respeito aos direitos humanos são formas legítimas de crítica.

Pelos exemplos da IHRA, a linha é cruzada em casos como estes:

  • quando a crítica usa estereótipos antigos contra judeus;
  • quando aplica a Israel um padrão que não vale para nenhum outro país;
  • quando culpa judeus de qualquer lugar pelo que faz o Estado de Israel;
  • quando nega ao povo judeu o direito à autodeterminação.

A JJO adota a definição da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo. Criticar o governo de Israel não é.

Qual é a diferença entre antissemita e sionista?

São coisas de natureza diferente. O antissemitismo é preconceito ou hostilidade contra judeus. O debate sobre sionismo trata do Estado de Israel e do direito do povo judeu à autodeterminação.

Uma pessoa pode criticar políticas de Israel sem ser antissemita. A IHRA garante isso de forma expressa. O problema aparece quando a palavra “sionista” vira só outro nome para “judeu”. Isso acontece quando a frase repete os velhos mitos de poder judaico ou culpa judeus brasileiros por uma guerra no Oriente Médio.

O teste é o conteúdo da frase, não o rótulo usado. Duas perguntas simples ajudam:

  • Ela ataca judeus por serem judeus?
  • Ela nega só ao povo judeu um direito que se reconhece a outros povos?

Se a resposta for sim, a crítica deixa de ser política e passa a ser preconceito.

A definição da IHRA é lei? Ela vale no Brasil?

Não é lei. A IHRA a descreve como “não juridicamente vinculante”. Ela não cria crimes nem penas por conta própria. Funciona como ferramenta de trabalho para governos, escolas, universidades, polícias e organizações.

No mundo, dezenas de governos nacionais adotaram ou endossaram a definição. O Parlamento Europeu também, além de universidades e clubes esportivos. Nos EUA, os Departamentos de Estado e de Educação estão entre os órgãos que a usam.

No Brasil, a adoção é parcial e feita por partes. As fontes não concordam sobre o número de adesões. A DW fala em 12 estados. Em junho de 2024, O Globo listava cinco estados e duas capitais.

EnteO que se sabeFonte
Cidade de São PauloAdesão em 2023, na gestão Ricardo NunesEstadão
Estado de São PauloAdesão em 2024Poder360
Estado do Rio de JaneiroAdesão assinada por Cláudio Castro em 3 de maio de 2024O Globo
Goiás, Rondônia, Roraima e cidade do RioIncluídos entre os que aderiram até junho de 2024O Globo
AmazonasIncluído entre os estados que aderiramEstadão
Distrito FederalGoverno adotou a definiçãoPoder360
Belo HorizonteLei 11.995/2026 criou a Semana Municipal de Combate ao Antissemitismo e cita a IHRACâmara Municipal de BH

No plano federal, os relatos também divergem:

  • Algumas reportagens dizem que o governo federal aderiu à definição em 2021, quando o Brasil se tornou observador.
  • Outras pesquisas não encontraram um decreto federal em vigor.
  • Em 2025, um texto em consulta pública propôs adotar a definição em todo o país, segundo o portal Participa + Brasil.

No Congresso, tramitam o PL 472/2025 e o PL 1424/2026. O PL 1424/2026 foi apresentado pela deputada Tabata Amaral em 26 de março de 2026. Ele adota a definição e trata o antissemitismo como forma de racismo, segundo análise do Instituto dos Advogados Brasileiros. Não há lei federal geral em vigor sobre o tema.

Por que a definição da IHRA gera polêmica?

A polêmica não é sobre o texto central. É sobre como aplicar os exemplos que falam de Israel. Há divergência política e acadêmica sobre esses pontos, e vale conhecer os dois lados.

  • Críticos: estudiosos ouvidos por O Globo dizem que alguns exemplos podem proteger Israel de críticas. A Associação Brasileira de Antropologia publicou nota contra a adoção. Segundo a imprensa, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos pediu a rejeição do PL 472/2025.
  • Defensores: o Estadão publicou artigo que trata a definição como referência internacional para políticas públicas e para a educação. Um artigo na Folha defende o projeto de Tabata Amaral. Os defensores lembram que o texto protege a crítica a Israel feita nos mesmos termos da crítica a outros países.
  • Debate no Congresso: a Folha mostra que o PL 1424/2026 divide opiniões. De um lado está o temor de censura. Do outro, a proteção aos judeus.

O receio de uso abusivo é uma preocupação séria. Uma forma de responder a ele é aplicar a definição com cuidado e proteger de forma expressa a crítica a governos. Discordar da definição não torna ninguém antissemita.

Como a definição da IHRA ajuda a combater o antissemitismo?

A definição oferece um critério comum para reconhecer o antissemitismo, contar os casos e responder a eles. Sem esse critério, cada órgão mede o problema de um jeito, e os dados não se comparam.

Na prática, a definição é usada para:

  • Registrar casos: polícias e observatórios classificam denúncias com os mesmos parâmetros.
  • Educar: escolas e universidades ensinam como o preconceito aparece na mídia, nas redes e no trabalho.
  • Criar políticas públicas: é o caso da Semana Municipal de Combate ao Antissemitismo, criada em Belo Horizonte em 2026.

O problema existe no Brasil. Segundo relatório citado pela Folha, o país registrou cinco denúncias de antissemitismo por dia em 2024. Em 2026, uma entidade judaica informou que os casos caíram. Mesmo assim, o nível ainda estava acima do registrado antes da guerra entre Israel e o Hamas, segundo a Folha.

A JJO combate o antissemitismo com informação, sem ódio a nenhum povo ou religião. Para saber mais sobre as iniciativas no país, veja a análise do The Conversation.

Linha do tempo

  1. 1998Criação da futura IHRA, por iniciativa do primeiro-ministro sueco Göran Persson.
  2. 2000Declaração de Estocolmo, aprovada por governos de 46 países, vira a base da aliança.
  3. 2005O Centro Europeu de Monitoramento do Racismo e da Xenofobia (EUMC) publica uma definição de trabalho do antissemitismo.
  4. 2015Na plenária de Budapeste, o comitê da IHRA sobre antissemitismo propõe uma definição comum.
  5. 2016Em 26 de maio, em Bucareste, os 31 Estados-membros da IHRA adotam a definição por unanimidade.
  6. 2021Em 9 de novembro, o Brasil passa a ser país observador da IHRA.
  7. 2023A cidade de São Paulo adere à definição.
  8. 2024O estado de São Paulo e, em 3 de maio, o estado do Rio de Janeiro aderem à definição.
  9. 2025O Brasil deixa a IHRA. Tramita na Câmara o PL 472/2025, que usa a definição.
  10. 2026O PL 1424/2026 é apresentado em 26 de março. Belo Horizonte publica a Lei 11.995/2026, que cita a IHRA.

Perguntas frequentes

O que significa a sigla IHRA?
IHRA significa *International Holocaust Remembrance Alliance*, ou Aliança Internacional para a Memória do Holocausto. É um organismo intergovernamental criado em 1998, com base na Declaração de Estocolmo, aprovada em 2000. Os países-membros se comprometem com a educação, a memória e a pesquisa sobre o Holocausto. Também se comprometem a combater o antissemitismo e a negação do Holocausto.
Quem faz parte da IHRA?
A IHRA reúne países-membros e observadores. Em 2016, quando adotou a definição de antissemitismo, tinha 31 Estados-membros. Em setembro de 2022, eram 35, como Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica e Canadá. O Brasil foi observador a partir de 9 de novembro de 2021 e deixou a aliança em 2025.
A definição da IHRA é obrigatória por lei?
Não. A IHRA afirma que a definição é “não juridicamente vinculante”. Ela orienta governos, escolas e polícias, mas não cria crimes nem penas por conta própria. No Brasil, vários estados e capitais aderiram ao texto. Projetos de lei no Congresso, como o PL 472/2025 e o PL 1424/2026, propõem dar a ela alcance nacional.
Criticar Israel é antissemitismo pela definição da IHRA?
Não. O texto diz que a crítica a Israel semelhante à feita a qualquer outro país não é antissemita. Pode ser antissemitismo, conforme o contexto, culpar todos os judeus pelos atos de Israel. O mesmo vale para usar estereótipos clássicos contra judeus e para negar ao povo judeu o direito à autodeterminação.
Fontes
  1. IHRA – A definição prática de antissemitismo da IHRA (português)
  2. IHRA – Working definition of antisemitism (inglês)
  3. IHRA – Non-legally binding working definition of antisemitism (PDF)
  4. O Globo – Estados brasileiros adotam definição de antissemitismo (2024)
  5. O Globo – Estado do Rio adere à definição de antissemitismo da IHRA
  6. Estadão – São Paulo adere à definição de antissemitismo da IHRA
  7. Estadão – Políticas públicas e o combate ao antissemitismo
  8. Poder360 – Estado de São Paulo adere à definição internacional de antissemitismo
  9. Poder360 – Governo de Brasília adota definição internacional de antissemitismo
  10. DW – A busca no Brasil por uma definição de antissemitismo
  11. Folha de S.Paulo – Projeto sobre antissemitismo divide opiniões
  12. Folha de S.Paulo – Falsas acusações contra projeto de Tabata (opinião)
  13. Folha de S.Paulo – Brasil registrou 5 denúncias de antissemitismo por dia em 2024
  14. Folha de S.Paulo – Em queda, antissemitismo no Brasil ainda é maior do que antes da guerra
  15. Folha de S.Paulo – Lula erra ao deixar aliança, diz diretor do Museu do Holocausto
  16. The Conversation – Como funcionam as iniciativas de enfrentamento ao antissemitismo no Brasil
  17. Câmara Municipal de Belo Horizonte – BH institui Semana Municipal de Combate ao Antissemitismo
  18. Participa + Brasil – Proposta federal sobre a definição da IHRA (2025)
  19. Câmara dos Deputados – PL 472/2025
  20. Instituto dos Advogados Brasileiros – Análise do PL 1424/2026
  21. Associação Brasileira de Antropologia – Nota sobre a definição da IHRA
Em revisão pela JJO. Toda afirmação tem fonte. Encontrou um erro? Peça uma correção.

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