Disputado: depende de quem usa. A frase “do rio ao mar” cobre todo o território entre o rio Jordão e o Mediterrâneo, incluindo todo Israel. Muitos manifestantes a usam pensando em igualdade ou fim da ocupação. Mas o Hamas, em seu documento de 2017, a usa para rejeitar qualquer alternativa à libertação total da Palestina, o que é eliminacionista.
Onde aparece a frase “do rio ao mar, Palestina livre”?
A frase aparece em faixas, hashtags e cantos em atos públicos. Para muitas pessoas, ela é sinônimo de liberdade para os palestinos.
Quem a repete nem sempre pensa no que o território descrito inclui. Por isso vale olhar com calma o que ela diz e quem a usa.
Por que tanta gente usa o slogan?
Porque é curto e rítmico. Funciona bem em coro e em cartaz.
Para quem o canta, o slogan costuma falar de igualdade e de fim da ocupação. Muitos manifestantes dizem querer igualdade num só Estado ou o fim da ocupação. Essa intenção é real e merece ser ouvida.
O que significa “do rio ao mar”? O que é verdade e o que é falso?
- O território: “do rio ao mar” vai do rio Jordão ao mar Mediterrâneo. Esse espaço inclui todo o território de Israel.
- O uso pelo Hamas: o Hamas usa a fórmula de forma explícita. Seu documento de princípios de 2017 rejeita “qualquer alternativa à libertação total da Palestina, do rio ao mar”. Nesse uso, a frase é eliminacionista: não deixa lugar para Israel.
- O uso por manifestantes: muitos dizem querer igualdade num só Estado ou o fim da ocupação. Para eles, a frase não é um chamado à violência.
Por isso o veredito é disputado: o sentido depende de quem usa.
Existe maximalismo do outro lado também?
Sim. O maximalismo existe dos dois lados. A plataforma do Likud de 1977 dizia que “entre o mar e o Jordão haverá apenas soberania israelense”.
Reconhecer isso é parte de uma conversa honesta. Negar a existência de um povo naquela terra é um problema, venha de onde vier.
Dizer “do rio ao mar” é antissemitismo?
Depende do sentido. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
Quando a frase é usada como no documento do Hamas, para recusar qualquer alternativa à libertação total do território, ela nega esse direito. Quando alguém a repete pensando em igualdade ou fim da ocupação, a intenção é outra, mas a frase ainda cobre todo Israel. Para judeus, ela pode soar como “vocês não terão lugar”.
Criticar o governo de Israel não é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
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Pergunta sincera: “do rio ao mar” tem lugar para os 7 milhões de judeus que vivem ali? O Hamas usa a frase para dizer que não. Se você quer igualdade e dois povos em segurança, estamos do mesmo lado, com outras palavras.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
Muita gente canta “do rio ao mar” pensando em liberdade, não em violência. Mas a frase cobre todo o território de Israel. O Hamas a usa no seu documento oficial de 2017 para recusar qualquer alternativa à “libertação total da Palestina”.
Para judeus, a frase soa como “vocês não terão lugar”. O maximalismo também existe do outro lado: a plataforma do Likud de 1977 falava em “apenas soberania israelense” entre o mar e o Jordão.
Se o objetivo é dignidade e segurança para os dois povos, há palavras melhores para dizer isso.
Não chame de terrorista quem usa a frase. A maioria não é. O rótulo encerra a conversa e afasta justamente quem poderia ouvir. Prefira perguntar o que a pessoa quer dizer e mostrar o que o território “do rio ao mar” inclui.
