É uma questão disputada. Muitos dos primeiros sionistas eram europeus, e a Grã-Bretanha apoiou o “lar nacional”. Mas não havia metrópole: o movimento não agia em nome de um Estado colonizador, os judeus têm presença antiga naquela terra e grande parte dos judeus de Israel descende de famílias de países árabes e do Irã.
Como essa afirmação circula?
A ideia aparece em expressões como “projeto colonial”, “colonos europeus” e “colonialismo de povoamento”.
Ela circula em cartilhas sindicais, em materiais de partidos e em perfis de ativismo nas redes sociais.
Por que tanta gente acredita que o sionismo é colonialismo?
Porque a afirmação parte de fatos reais:
- os primeiros sionistas eram sobretudo europeus;
- na época, falava-se em “colonização” agrícola;
- a Grã-Bretanha apoiou o “lar nacional” judaico, previsto no Mandato da Liga das Nações para a Palestina (1922);
- o deslocamento de palestinos em 1948 é real.
Com esses elementos, a comparação com a colonização das Américas parece natural. O problema está no que ela deixa de fora.
O que é verdade e o que é falso nessa comparação?
É verdade que houve imigração europeia e apoio britânico no início.
É falso que os judeus sejam estrangeiros sem vínculo com a terra. A presença judaica ali é antiga, documentada pela arqueologia e pela genética, e o vínculo religioso é contínuo.
Falta a metrópole. O movimento sionista não agia em nome de um Estado colonizador. Os judeus fugiam de pogroms e do Holocausto. A própria Grã-Bretanha limitou a imigração judaica em 1939: o Livro Branco britânico fixou o teto em 75 mil pessoas em cinco anos.
Nem todos vieram da Europa. Grande parte dos judeus de Israel descende de famílias vindas de países árabes, como Iraque, Marrocos e Iêmen, e do Irã. Muitos saíram desses países depois de 1948.
Por que o tema é considerado disputado?
No debate acadêmico e político, há quem analise Israel pela lente do colonialismo de povoamento. Há também quem descreva o sionismo como um movimento nacional de refugiados.
Debater essas teorias é legítimo. Criticar o governo de Israel também não é antissemitismo. A linha muda quando o rótulo “colonial” serve para dizer que Israel não pode existir. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA, segundo a qual negar o direito de Israel existir é antissemitismo. Nesse uso, a afirmação deixa de ser só disputada e se torna enganosa.
Resposta pronta para copiar
Muitos sionistas vieram da Europa, é verdade. Mas não havia metrópole: eram refugiados de um povo com raízes ali há 3 mil anos, e boa parte dos judeus de Israel veio de países árabes. Dá para criticar a ocupação sem negar o vínculo dos dois povos.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
Faz sentido olhar para Israel com a memória da colonização das Américas, mas a comparação tropeça.
Os judeus não eram enviados de um império. Fugiam de pogroms e do Holocausto, e a Grã-Bretanha chegou a restringir sua imigração em 1939. Muitos vieram do Iraque, do Marrocos e do Iêmen.
Dois povos têm laços com aquela terra, e é daí que parte qualquer solução justa.
Ao responder, evite frases como “a terra estava vazia”, “palestinos não existem” ou “colonizar seria bom”. Cada uma delas confirma a acusação que você quer corrigir.
Reconheça o deslocamento de 1948 e o vínculo dos dois povos com a terra. Mostre o que falta na comparação sem negar a história do outro lado.
