Não. Dizer que Israel não tem direito de existir é antissemitismo, pelo critério da IHRA, adotado pela JJO. Israel é membro da ONU desde 11/05/1949 e tem cerca de 10 milhões de habitantes. Criticar seu governo é legítimo. Mas, entre quase 200 países, só ao Estado judeu se nega o direito de existir.
Como circula a ideia de que Israel não tem direito de existir?
A afirmação nem sempre aparece de forma direta. Muitas vezes surge em detalhes de linguagem:
- “Entidade sionista” no lugar do nome do país;
- “israel” entre aspas e em minúscula, como se o país não fosse real;
- “Estado ilegítimo”, como rótulo fixo.
Todas essas formas têm o mesmo efeito. Elas não discutem o que um governo faz. Elas questionam se o país deveria existir.
Por que dizem que Israel não é um Estado legítimo?
Muita gente chega a essa ideia por um caminho que parece coerente. Quem vê o sionismo como uma forma de colonialismo conclui que negar Israel é apenas mais uma posição anticolonial.
Essa preocupação com o colonialismo costuma ser sincera e merece ser levada a sério. A discussão sobre se o sionismo é ou não colonialismo é tratada em outra página deste site. Aqui, o ponto é outro: mesmo para quem critica a história de um país, a conclusão “esse país não deveria existir” não é aplicada a nenhum outro Estado do mundo.
O que é verdade e o que é falso nessa afirmação?
O que é fato:
- Israel é membro da ONU desde 11/05/1949, pela Resolução 273 (III)).
- O país tem cerca de 10 milhões de habitantes, dos quais 2,1 milhões são árabes (Ynet, dados de setembro de 2024). Ali vivem judeus, árabes, drusos e cristãos, a maioria nascida no próprio país.
- Entre quase 200 países, só ao Estado judeu se nega o direito de existir.
Por que é antissemitismo: a definição de trabalho da IHRA, que a JJO adota, lista como exemplo de antissemitismo negar ao povo judeu o direito à autodeterminação, por exemplo afirmando que a existência de Israel é um empreendimento racista.
Criticar Israel é antissemitismo?
Não. Dá para criticar Israel com dureza: guerras, governo, ocupação. Isso é debate político legítimo.
Outra coisa é dizer que Israel não deveria existir. Ninguém pede o fim do Brasil por causa da sua história colonial. Quando só o Estado judeu é tratado como ilegítimo, o problema deixa de ser a política e passa a ser o povo.
É possível criticar o governo de Israel e, ao mesmo tempo, defender que Israel exista. As duas posições cabem juntas.
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Israel é membro da ONU desde 1949 e tem cerca de 10 milhões de habitantes. Criticar seu governo é legítimo. Mas, entre quase 200 países, dizer que só o Estado judeu não pode existir é aplicar um padrão a um único povo.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
Dá para criticar Israel com dureza: guerras, governo, ocupação. Outra coisa é dizer que Israel não deveria existir.
São cerca de 10 milhões de pessoas, entre judeus, árabes, drusos e cristãos, a maioria nascida ali. O país é membro da ONU desde 1949.
Ninguém pede o fim do Brasil por causa da sua história colonial. Quando só o Estado judeu é tratado como ilegítimo, o problema deixa de ser a política e passa a ser o povo.
Não diga que “quem critica Israel quer matar judeus”. A frase generaliza e reforça a ideia de que toda crítica a Israel é silenciada. Separe sempre as duas coisas: criticar o governo é legítimo; negar a existência do país é que é o problema.
