É enganoso. Decisões internacionais pesaram na criação de Israel, mas o mesmo vale para Iraque, Síria, Líbano e Jordânia, que surgiram do sistema de mandatos da Liga das Nações. Nenhum desses países é chamado de “artificial” para dizer que deveria desaparecer. Usar a palavra só contra Israel não é análise histórica.
Como a afirmação de que Israel é “artificial” circula?
A ideia aparece em frases como “Estado artificial de ‘Israel’”, às vezes com o nome do país entre aspas, ou na expressão “invenção britânica”.
O recado implícito é que Israel não seria um país de verdade. Por isso, não deveria existir.
Por que tanta gente acredita que Israel foi criado pelas potências?
Porque há um fundo de verdade. A criação de Israel passou pela Liga das Nações, pela Grã-Bretanha e pela ONU.
O território estava sob o Mandato para a Palestina, de 1922. Quem conhece só essa parte da história pode concluir que Israel é um caso único de país criado de fora para dentro.
O que é verdade e o que é falso nessa afirmação?
É verdade que decisões internacionais pesaram na criação de Israel.
É enganoso tratar isso como algo exclusivo de Israel. Boa parte dos Estados do Oriente Médio moderno teve origem parecida. Iraque, Síria, Líbano e Jordânia surgiram do sistema de mandatos da Liga das Nações, criado pelo artigo 22 do Pacto da Liga das Nações.
Quase todas as fronteiras da região foram desenhadas depois da Primeira Guerra, por esse mesmo sistema. Se “criado por potências” tornasse um país ilegítimo, metade da região estaria em xeque. Nenhum desses Estados, porém, é chamado de “artificial” com o objetivo de desaparecer.
Chamar Israel de Estado artificial é antissemitismo?
A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
Quando a palavra “artificial” é usada só para Israel, ela não descreve a história. Ela serve para negar que judeus possam ter um país. O problema, nesse caso, não é a origem do Estado. É quem vive nele.
Isso é diferente de criticar o governo de Israel. Criticar decisões de um governo não é antissemitismo.
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Iraque, Síria, Líbano e Jordânia também nasceram de mandatos da Liga das Nações, como a Palestina do Mandato. Só Israel é chamado de “artificial” para dizer que deveria sumir. O problema não é a origem do Estado; é quem vive nele.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
É verdade que a criação de Israel passou pela Liga das Nações, pela Grã-Bretanha e pela ONU. Mas quase todas as fronteiras do Oriente Médio foram desenhadas depois da Primeira Guerra, pelo sistema de mandatos. Iraque, Síria, Líbano e Jordânia nasceram assim.
Se “criado por potências” tornasse um país ilegítimo, metade da região estaria em xeque. A palavra “artificial”, usada só para Israel, não é análise histórica. É uma forma de negar que judeus possam ter um país.
- Não responda dizendo que “os países árabes é que são artificiais”. Isso troca um preconceito por outro. O ponto é que a origem nos mandatos não torna nenhum país ilegítimo, seja ele Israel, Iraque, Síria, Líbano ou Jordânia.
- Não negue que houve decisões internacionais. Elas existiram. Reconhecer isso torna sua resposta mais honesta e mais forte.
- Não trate crítica ao governo de Israel como antissemitismo. O problema está em negar o direito do país existir, não em discordar de um governo.
