Não, é falso. A carta fundacional do Hamas, de 1988, cita um hadith sobre matar judeus escondidos atrás de pedras e árvores, diz que judeus controlam a mídia e cita os Protocolos dos Sábios de Sião. Em 2017, o grupo mudou a linguagem. Mas em 7 de outubro mirou civis judeus em suas casas.
Como essa afirmação circula?
A frase aparece em comentários e postagens com variações como esta: “O problema do Hamas é com o sionismo, não com os judeus.”
A ideia é separar o grupo de qualquer acusação de antissemitismo. Segundo essa visão, o Hamas teria uma disputa apenas política, e não um problema com os judeus como povo.
Por que tanta gente acredita nisso?
Existe um texto real que parece confirmar a afirmação. Em 2017, o Hamas publicou um documento que diz que a luta do grupo “não é contra os judeus por causa de sua religião”.
Quem lê só esse trecho pode concluir que o grupo mira apenas o sionismo. Essa leitura deixa de fora o que o próprio Hamas escreveu antes e o que fez depois.
O que diz a carta fundacional do Hamas de 1988?
A carta fundacional do Hamas, de 1988, contém trechos que atacam os judeus diretamente:
- Artigo 7: cita um hadith sobre matar judeus escondidos atrás de pedras e árvores.
- Artigo 22: diz que judeus controlam a mídia e provocaram revoluções e guerras.
- Artigo 32: cita os Protocolos dos Sábios de Sião.
Esses trechos não falam de um governo nem de uma política. Falam dos judeus. A tradução inglesa completa está disponível no Avalon Project, da Universidade Yale.
O documento de 2017 mudou alguma coisa?
É verdade que o documento de 2017 adota outra linguagem. O tom é mais moderado do que o da carta de 1988. O texto pode ser lido na íntegra no Middle East Eye.
Mas mudar o tom não é o mesmo que mudar a prática. Em 7 de outubro, o Hamas mirou civis judeus em suas casas. Os atos mostram o que o grupo faz com civis judeus, independentemente das palavras escolhidas em 2017.
Criticar Israel é a mesma coisa que antissemitismo?
Não. Criticar o governo de Israel não é antissemitismo. Esse ponto vale para qualquer pessoa e qualquer debate.
A questão aqui é outra. Dar ao Hamas o selo de “só antissionista” é ignorar o que o próprio grupo escreveu sobre os judeus. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA, pela qual negar o direito de Israel existir também é antissemitismo.
Resposta pronta para copiar
A carta do Hamas (1988) cita os Protocolos dos Sábios de Sião e um texto sobre matar judeus atrás de pedras. Em 2017 mudou o tom. Em 7/10, matou civis judeus em casa. É antissemitismo explícito, não só antissionismo.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
O Hamas escreveu em 1988 que os judeus controlam a mídia e causaram revoluções e guerras. Também citou os Protocolos dos Sábios de Sião.
Em 2017, o grupo suavizou a linguagem. Mas os atos de 7 de outubro mostram o que ele faz com civis judeus.
Criticar Israel é uma coisa. Dar ao Hamas o selo de “só antissionista” é ignorar o que ele mesmo escreveu.
Não diga que “o islã ensina a matar judeus”. Essa frase confunde um grupo com uma religião inteira, e isso é injusto e falso. O problema está no que o Hamas escreveu e fez, não nos muçulmanos. Mantenha a resposta nos documentos do próprio grupo e nos seus atos. Veja também a ficha R05.
