Não. O texto da definição de antissemitismo da IHRA, adotada em 2016, diz expressamente que criticar Israel como se critica qualquer outro país não é antissemitismo. A definição também não é juridicamente vinculante. O que existe é uma preocupação legítima com o uso punitivo do texto, levantada inclusive por Kenneth Stern, um dos autores do rascunho original.
Como circula a ideia de que a definição da IHRA é uma mordaça?
A frase mais comum é “definição da IHRA = mordaça”. Ela aparece com força no debate sobre o PL 1424/2026.
A mensagem sugere que adotar a definição tornaria proibida qualquer crítica ao Estado de Israel ou ao seu governo.
Por que tanta gente acredita que a IHRA proíbe criticar Israel?
Há motivos reais para a dúvida, e vale reconhecê-los:
- A definição traz exemplos que falam de Israel.
- Houve usos restritivos da definição no exterior.
- Kenneth Stern, um dos autores do rascunho original, critica o uso do texto como regra punitiva.
Esses pontos são sérios. Mas eles tratam da aplicação da definição, não do que o texto diz.
O que é verdade e o que é falso sobre a definição da IHRA?
O que o texto diz:
- A definição foi adotada pela IHRA em 2016.
- Ela não é juridicamente vinculante.
- Ela afirma expressamente que a crítica a Israel semelhante à feita a outros países não é antissemita.
O que os exemplos sobre Israel tratam: padrões duplos, negação da autodeterminação judaica e comparações com nazistas, entre outros. Ou seja, eles descrevem situações específicas, não a crítica política em geral.
O que é legítimo: a preocupação com o uso punitivo. Críticos sérios apontam esse risco, e ele merece atenção.
O que é falso: dizer que o texto proíbe criticar Israel. Você pode conferir lendo a definição completa no site da IHRA.
A definição da IHRA foi adotada no Brasil?
Sim, por governos estaduais e capitais. O número exato varia entre fontes. Uma reportagem do Sul21 cita o Rio Grande do Sul e mais 11 estados.
No plano federal, o PL 472/2025 incorpora a definição.
A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo. Criticar o governo de Israel não é.
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O texto da IHRA diz que criticar Israel como qualquer outro país não é antissemitismo. A preocupação com o uso punitivo é legítima e se resolve com aplicação cuidadosa e proteção expressa à crítica política. Que tal ler o texto juntos?Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
A definição é curta e vale a pena ler. Ela diz que o antissemitismo é uma certa percepção dos judeus, que pode se expressar como ódio. Depois, lista exemplos, alguns sobre Israel. E afirma com todas as letras que criticar Israel como se critica qualquer outro país não é antissemitismo.
Há críticos sérios do uso da definição como regra punitiva, entre eles Kenneth Stern, um dos autores do rascunho original. Essa preocupação é justa.
A resposta a esse risco é a aplicação cuidadosa, com proteção expressa à crítica política. Não é fingir que o texto diz o que ele não diz.
Não diga que quem critica a IHRA é antissemita. Entre os críticos há judeus e especialistas no tema. Reconheça que a preocupação com o uso punitivo é legítima e concentre a conversa no que o texto realmente diz. Convidar a pessoa a ler a definição costuma funcionar melhor do que acusar.
