É enganoso quando o critério é a identidade da pessoa. Escolher candidatos pela posição sobre política externa é legítimo. Mas o rótulo “sionista”, usado sem definição, atinge na prática a maioria dos judeus, inclusive críticos de Netanyahu. O critério justo é perguntar o que o candidato defende, não se ele é judeu ou tem laços com Israel.
Como circula o “não vote em sionista”?
A frase aparece em campanhas eleitorais e em listas de candidatos chamados de “sionistas”. Essas listas costumam trazer nomes e, às vezes, fotos.
O chamado se apresenta como orientação de voto. Na maioria dos casos, porém, não explica o que seria um “sionista”.
Por que tanta gente acha que é um critério justo?
Porque parece um critério político comum, como não votar em quem apoia uma guerra.
E há uma parte verdadeira nisso: escolher candidatos pela posição sobre política externa é um direito do eleitor. É assim que funciona a democracia.
O que é verdade e o que é enganoso nessa campanha?
É verdade: você pode e deve avaliar o que cada candidato pensa sobre política externa.
É enganoso: usar “sionista” como rótulo sem definição. Na prática, a palavra cai sobre quase qualquer judeu. A maioria dos judeus apoia que Israel exista, mesmo quando critica o governo de Israel. Isso inclui muitos críticos de Netanyahu.
Assim, o critério deixa de ser a posição concreta do candidato e passa a ser a identidade dele.
Há ainda um risco real: listas de “sionistas” expõem pessoas e podem estimular assédio. Elas viram alvo, não debate.
Quantos judeus vivem no Brasil?
No Censo de 2010, 107.329 pessoas se declararam judias no Brasil, segundo a tabela 137 do IBGE.
Reportagens sobre o Censo de 2022 falam em cerca de 100 mil (TNH1). Esse número ainda não foi verificado na tabela oficial.
Qual é a forma justa de escolher um candidato sobre esse tema?
Pergunte o que o candidato defende, e não quem ele é. Algumas perguntas concretas:
- O que você defende sobre a solução de dois Estados?
- Qual a sua posição sobre cessar-fogo?
- O que você propõe contra o antissemitismo?
Essas perguntas julgam ideias. Elas não julgam a origem ou a religião de ninguém.
Resposta pronta para copiar
Votar pela política externa do candidato é direito seu. Mas “sionista”, sem definição, atinge quase todo judeu, inclusive quem critica Netanyahu. Pergunte o que o candidato defende, não se ele é judeu ou tem laços com Israel.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
Escolher candidatos por posições é democracia. Mas “não vote em sionista” raramente diz o que é um sionista. A palavra cai sobre quase qualquer judeu, porque a maioria apoia que Israel exista, mesmo criticando seu governo.
Listas com nomes e fotos viram alvo, não debate.
Pergunte aos candidatos o que defendem sobre dois Estados, cessar-fogo e antissemitismo.
Não responda com “vote em judeu”. Essa resposta inverte o mesmo erro, porque também troca a posição do candidato pela identidade dele. O ponto é defender um critério baseado em ideias e propostas, que vale para qualquer pessoa.
