É enganoso. É verdade que o Brasil não classifica o Hamas como terrorista, mas isso não significa apoio ao terrorismo. O Itamaraty explicou, em 12/10/2023, que o país segue apenas as listas do Conselho de Segurança da ONU, das quais o Hamas não faz parte, e que repudia o terrorismo em todas as suas formas.
Como essa afirmação circula?
A frase aparece sobretudo entre críticos do governo, principalmente depois dos ataques de 7 de outubro.
O raciocínio é direto: se o Brasil não chama o Hamas de terrorista, então estaria do lado do terrorismo.
Por que tanta gente acredita nisso?
Porque parte da afirmação é verdadeira. EUA, União Europeia e Reino Unido classificam o Hamas como terrorista. O Brasil não.
Quando países próximos do Brasil adotam essa classificação e o Brasil fica de fora, a diferença chama atenção. É compreensível que muita gente conclua que há algo errado.
O que é verdade e o que é falso?
É verdade que o Brasil não classifica o Hamas como terrorista.
É enganoso dizer que, por isso, o Brasil apoia o terrorismo. O Itamaraty explicou, em 12/10/2023, que:
- o país aplica as listas do Conselho de Segurança da ONU;
- o Hamas não faz parte dessas listas;
- o Brasil "repudia o terrorismo em todas as suas formas".
Além disso, o governo condenou os ataques de 7 de outubro.
Defender que o Brasil mude essa política é legítimo. Dizer que o país "apoia o terrorismo" é exagero.
O Brasil tem lei contra o terrorismo?
Sim. O Brasil tem a Lei 13.260/2016, a lei antiterrorismo.
Essa lei pune atos de terrorismo. Ela não funciona com listas de grupos. Por isso, a ausência de um grupo numa lista brasileira não significa que atos terroristas fiquem sem punição no país.
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O Brasil não lista o Hamas porque segue só as listas do Conselho de Segurança da ONU, e repudia o terrorismo. Dá para defender que o Brasil mude isso. Dizer que o país “apoia o terrorismo” é exagero que enfraquece o argumento.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
O Brasil só classifica como terroristas os grupos listados pelo Conselho de Segurança da ONU, e o Hamas não está nessas listas. EUA, União Europeia e Reino Unido fazem diferente.
Quem quiser que o Brasil reveja essa política pode defender isso com argumentos, como os ataques de 7 de outubro, a carta do Hamas e os reféns. É um debate legítimo.
Já acusar o país de apoiar o terrorismo não convence e ignora que o governo condenou os ataques e que o Itamaraty declarou repudiar o terrorismo em todas as suas formas.
- Não diga que "o Brasil é aliado do Hamas". É falso, e quem ouve percebe o exagero.
- Não confunda uma política de listas com apoio ao terrorismo. A crítica fica mais forte quando se concentra no que pode mudar.
- Critique a política, não pessoas ou povos. Nunca generalize palestinos, árabes ou muçulmanos.
