É parcialmente verdadeiro. Israel é, de fato, alvo de muitas resoluções da ONU, sobretudo da Assembleia Geral e do Conselho de Direitos Humanos. Mas a maioria vem da Assembleia Geral, que recomenda e não obriga. A contagem não prova conduta pior: é disputado se o volume reflete atos de Israel ou blocos de votação.
Como essa afirmação circula nas redes?
Ela aparece em cards com contagens de resoluções da ONU sobre Israel. Em geral, o card termina com uma conclusão pronta: Israel seria um "Estado fora da lei".
O número é apresentado como prova suficiente. O conteúdo de cada resolução raramente aparece.
Por que tanta gente acredita nisso?
Porque parte da afirmação é verdadeira. Israel é, de fato, alvo de muitas resoluções. Quem vê a contagem tem um dado real diante de si.
O problema está no salto entre o número e a conclusão. Uma contagem não diz que tipo de resolução foi aprovada, quem a aprovou nem o que ela exige.
O que é verdade e o que é falso nessa afirmação?
É verdade que a Assembleia Geral e o Conselho de Direitos Humanos aprovam muitas resoluções sobre Israel.
Falta contexto sobre o peso dessas resoluções:
- A maioria é da Assembleia Geral. Pelos artigos 10 a 14 da Carta da ONU, a Assembleia Geral faz recomendações. Ela não obriga.
- Na Assembleia Geral, o voto é político.
- Algumas resoluções do Conselho de Segurança, como a 242 e a 2334, têm peso real.
É disputado se o volume de resoluções reflete a conduta de Israel ou a formação de blocos de votação. Por isso, a contagem sozinha não sustenta a conclusão de "Estado fora da lei".
O que dizem as resoluções 242 e 2334 do Conselho de Segurança?
A Resolução 242), de 1967, é do Conselho de Segurança. Ela liga a retirada de territórios a fronteiras seguras e reconhecidas.
A Resolução 2334), de 2016, também é do Conselho de Segurança. Ela trata de temas que merecem crítica, como os assentamentos.
Criticar o governo de Israel não é antissemitismo. O caminho honesto é discutir o conteúdo de cada resolução, com o texto na mão.
Resposta pronta para copiar
Israel é alvo de muitas resoluções, sobretudo da Assembleia Geral, que recomendam e não obrigam. Isso não deixa Israel imune a crítica, nem prova que todas estejam certas. Vale discutir cada uma com o texto na mão.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
O número de resoluções diz menos do que parece. A maioria vem da Assembleia Geral, onde o voto é político e o texto é recomendação.
Algumas resoluções do Conselho de Segurança, como a 242 e a 2334, têm peso real. Elas tratam de temas que merecem crítica, como os assentamentos.
O melhor caminho é discutir o conteúdo de cada uma, não a contagem.
- Não diga que "a ONU é antissemita". É uma generalização. Muita gente confia no sistema multilateral, inclusive a diplomacia brasileira, e essa frase encerra a conversa.
- Não negue que existem muitas resoluções. Isso é verdade, e negar enfraquece o resto do argumento.
- Não trate toda crítica ao governo de Israel como antissemitismo. Reconheça o que merece crítica e discuta o conteúdo.
- Se a publicação for só uma contagem, sem argumento, muitas vezes não vale a pena responder.
